domingo, 23 de setembro de 2007

Maio em Setembro

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Aqui mesmo ao lado. A Ilha do Maio desturva-se, num azul deslumbrante.

Duas horas e meia de barco. Carga, caixas, caixotes, os mantimentos da ilha. Pessoas, lancheiras, mobílias, galinhas, mulheres com rolos na cabeça, à conversa, de olho nas crianças.

Uns golfinhos acompanham o barco.

Enquanto me deslumbro pelo azul onírico e o sossego da ilha, seis horas passam até ao regresso do barco à Praia. O pontão não pára. Carros e carrinhas percorrem o pontão para trás e para a frente, até à vila. Carregam, descarregam.

A carga de regresso à Praia é pouca e o barco parte uma hora mais cedo. Não fosse a minha estrelinha, ficava em terra três dias, à espera do próximo barco. E ficava com uns chinelos, uma roupinha de praia e pouco mais de interessante que uma máquina fotográfica.

E tenho pena! Porque queria ter perdido o barco!


quarta-feira, 15 de agosto de 2007

cidade da Praia

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Cores à parte, esta é a realidade.

Neste "Inquérito à Arquitectura", dá-me algum gozo perverso afirmar, ainda assim, que tudo isto é de uma grande coerência. Autenticidade, uniformidade e integração na paisagem, é o que não falta.
Entre isto e arquitectura faz-de-conta, venha o diabo e escolha.

Empalem-me sff.

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domingo, 12 de agosto de 2007

cores

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Deixo-vos aqui algumas cores e sabores di terra.
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quinta-feira, 2 de agosto de 2007

agosto

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Chegaram as férias dos outros.
Um a um, todos vão partindo para o agosto emigrante.
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quinta-feira, 19 de julho de 2007

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R: "Sabes o que é mesmo bom...?"
P: "O quê...?"
R: "...um soninho descansado.."
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C: "...as noites são longas..."
P: "...são é curtas. Dorme-se à pressa."
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sexta-feira, 13 de julho de 2007

hoje


Hoje queria ser ninguém. E trespassar tranquilamente por tudo. Como uma nuvém.



terça-feira, 10 de julho de 2007

fim do sul


Enquanto vivi no Algarve, adquiri, de um modo natural e sem o saber, um sentimento de Sul bastante estruturado, e por me ser óbvio, nunca o questionei. Era tudo muito claro. O Algarve está virado a sul, como o mar e o Sol estão a sul. Na praia, a toalha era posta virada para o mar, não que fosse pelo mar, mas porque de frente para o mar estava também o Sol. E assim, de uma forma natural e confortável, eu e a toalha estávamos sempre, na grande parte do dia, mais ângulo, menos ângulo, virados para o mar, para o Sul e para o Sol. Olhando o mar à frente e o limite limitado da linha do horizonte, tinha presente que para além dessa linha, se fosse mais ou menos a direito ia dar a Marrocos. À noite, em dias de boas condições para a pesca à lula, via-se ao longo da costa inúmeras luzinhas dos barcos à pesca, e dizia-se, com muito humor, que era a auto-estrada para Marrocos. Quem cresceu no litoral oeste, terá no seu imaginário que, se for sempre em frente, irá dar à América. No entanto, a distância é enorme e a fantasia encontrará pelo caminho muito oceano por onde se fixar.
Ao deslocar-me para Lisboa, com Portugal a sul e a norte, e o mar a oeste, percebi ao longo dos anos que o meu mar de infância, trazia-me não só o imaginário de um outro país, mas sobretudo, de um outro continente, totalmente estranho e diferente. Tão vasto como o oceano a oeste.
Apesar da proximidade, nunca fui a Marrocos, e nunca desmistifiquei o meu Sul.
Coincidências da vida, encontro-me novamente no extremo sul de outro país. Em frente à minha baía, olho todos os dias uma muito pequenina ilha, sem ninguém e apenas com uma ruína. Ninguém lá vai, e se vai consegue-o a nado com a maré baixa.
No mar, à noite, vê-se as luzes dos cargueiros. Fala-se dos aviões que chegam e que partem. Portugal. Dakar. Angola.
O Sul da minha infância mudou.

quinta-feira, 21 de junho de 2007